quarta-feira, 28 de outubro de 2009

MOMENTOS EM FAMÍLIA


Numa entrevista já antiga do Pedro Bidarra, director criativo da BBDO, ao jornal i, os conceitos da publicidade misturam-se com as vivências familiares. E, de repente, pode soar um sinal de alerta para passarmos (ainda) menos tempo à frente do televisor. Ou em frente do televisor, quem sabe, a tentar estabelecer pontes. Seja como for, por enquanto ainda resistimos a instalar uma televisão na cozinha. Na hora das refeições ouve-se música. Ou o silêncio entre as palavras.

"Mesmo numa casa onde viva um homem, uma mulher e uma criança, é difícil aquela família partilhar as mesmas coisas. Estou a falar de experiências de comunicação e de entretenimento. É muito difícil que uma filha partilhe a mesma coisa que a mãe ou o pai. Com tantas referências, a pessoa tende a criar conteúdos e assuntos que viajam em diferentes meios. Depois há uma televisão em cada quarto, há Internet, outros estímulos. Cada um está fechado no seu mundo. Felizmente, ainda há pontos de contacto, mas é preciso procurá-los."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PRIMEIRA PALAVRA

Num clara demonstração de ausência egocêntrica e de contenção conflituosa, o concílio parental da Maria declarou, este fim de semana, qual a primeira palavra proferida pela bebé. Estiveram em cima da mesa os clássicos "ma...ma" e "pa...pa", com respectivas derivações "mããã" e "pááá". Foram vencidos pelo simples "Olá!".
Ainda assim, há discussões sobre a grafia, qual acordo ortográfico português. Estará o ponto de exclamação a mais? Provavelmente sim. E o som emitido parece-se mais com "olháaaa...". Mas sobre o intuito, disso não existem dúvidas. "Olhá" para a mãe, para o pai, para os quadros do Carlos Gardel, Corto Maltese e gatinhos, "olhás" repetidos consecutivamente para obter resposta semelhante.
Veio em boa altura a aprendizagem. A ver se ela a consegue pôr em prática na recepção aos convidados da festa comemorativa do ano um. O pai ainda vai tentar ensinar em tempo útil outra palavrinha que pode dar jeito: "Adeus!"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

BÉBÉ BIBLIOTECÁRIA

A Maria aponta. Isto, aquilo e aqueloutro, com o dedo esticado. Acho que dorme assim, com o indicador em riste (e o polegar na boca). Dá preferência a livros. Passa minutos e minutos a olhar para as figuras de animais, seja da quinta, do campo, do mar ou da selva. Aponta, comenta guturalmente, vira e revira as páginas. O interesse é tal que os nossos amigos belgas, quando pensaram em oferecer-lhe uma prenda, optaram por mais um livro. Agora são quatro as leituras de cabeceira da Maria. Mesmo os mais antigos não deixam de lhe captar a atenção. O primordial é colorido e de material maleável. Faz barulho quando se mexem nas folhas que enquadram o leão, o macaco, o elefante, o pássaro (piu-piu), o gato, o cão, o cavalo. O nome dos bichos é acompanhado dos respectivos sons [perguntam como faz o elefante? Ora, é uuuuoooooooóóóó, não é?]. Depois veio um livro de cartão com a bicharada do campo, das lagartas e minhocas às borboletas e libelinhas. Gosta particularmente da lesma e do caracol, sempre acompanhado da cantilena “caracol, caracol, põe os pauzinhos ao sol!”. Aqui não há sons, excepto para o mosquito. Zzzzzzzzzzzzz. Da mesma colecção, a prenda belga mostra a vida na quinta. Voltam os sons para a vaca-muuuuuuuuuu, o porco-óinc, o burro-ióóó, o peru glu-glu-glu, o pato quá-quá. O senhor agricultor não fala. Só se ouve o barulho do tractor. O livro do banho é aquele em que mais se aponta. Cada página tem muito que ver. Constantes, um polvo e a água. Juntam-se peixinhos, estrela-do-mar, barco à vela, piu-pius, bola…
Passo a passo, os animais começam a ser reconhecidos. “Onde está o polvo, filha?” Às vezes aponta, outras vezes não. “Está ali”, ajudam os pais quando necessário. No outro dia, no livro da quinta, pareceu-me que ela reconheceu mais um. “Onde está o burrinho, filha?” E ela logo, tão linda, de dedo espetado a indicar o papá…

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

CRIANCICE PATENTEADA #11:
NEM QUEBRAR NEM TORCER
(O COTOVELO)


Problema: Preguicite aguda dos pais; ancilose do cotovelo
Solução: colher reservatório + dispensadora de comida
Explicação: apertar a parte mole da colher provoca a saída de uma dose de comida para a parte côncava.
Efeito colateral: Crianças impossibilitadas de se exprimirem artisticamente pela colocação das mãos no prato da comida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ANOITECER DE VERÃO OUTONAL
(UM CONTO EM QUATRO ACTOS)


(acto I)
Rua fora, os néons das lojas a contestar a luz dos candeeiros públicos, a caminho de casa com um frango assado no saco. No passeio à minha frente, uma avó e duas crianças. O miúdo, mais novo que a irmã, pergunta:
- Avó, em casa posso calçar os ténis novos?
O consentimento é quase inaudível mas a réplica da menina não.
- Não percebo porque é que arranjas sempre coisas novas para ele e para mim não.
- Porque TU já tens dois ténis! E eu só tenho um! – adianta-se o irmão.
A avó permanece calada. A irmã, sempre serena, aplaca o ciúme.
- São giros? – condescende a irmã.
- Buéda fixes!
- De que cor são?
- Às cores – responde ele.
- Que cores?
- São muitas!
- Mas quais?
- Não me lembro!
Estou em plena ultrapassagem ao trio da avó calada, da menina calma e do miúdo com ténis muita fixes dos quais já não se lembra. Após um breve silêncio, regressam as vozes.
- Azul?! – insiste a irmã.
- Já te disse que não me lembro!!!
Ultrapassei-os e começo a afastar-me.
- Verde?
- Não sejas chata! Já disse que não sei!

(acto II)
Deixo de ouvir. Dois quarteirões à frente, uma mãe empurra com as duas mãos um carrinho de criança na minha direcção. Não é a primeira vez que a encontro. Tem sempre um cigarro preso entre os dedos, a fumegar para onde o vento sopra. Às vezes é para cima da criança, invariavelmente calada. Cruzamo-nos ao estilo comboio-bala.

(acto III)
Mais à frente, um homem segura uma caixa junto ao carro. Junto à porta traseira, uma mãe instala a filha na cadeirinha interior.
- VÁ LÁ QUE JÁ SÃO SETE E MEIA! ENTRAAAA!
A menina inicia um choro contínuo. A mãe persegue na irritação. O pai segura a caixa. O choro soa como uma sirene de bombeiros que se ofusca lentamente à medida que me afasto e galgo o resto dos metros que faltam até casa. O frango ainda vai quente.

(acto IV)
A Maria acabara de comer. Recebe-me com um sorriso enorme. Quatro dentes brilham, dois em baixo, dois em cima. Deixa os pais comerem o frango enquanto explora o chão da cozinha atrás de uma bola. Bate com a cabeça num pé da mesa. E começa um choro que parece uma sirene de bombeiros. É resultado de sono, concluímos, falta da sempre necessária sesta que não fizera. Todos os truques de adormecer ou acalmar falham. A sirene não termina. Até uma mãe salvadora lembrar-se de cheirar uma fralda. Cheia e a fazer arder um rabinho assado. O pano desce. A peça de verão outonal terminou. Os críticos que lhe façam os julgamentos morais.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

PUZZLE GENÉTICO


Quase acabadinho de nascer, com cerca de meio metro, olhos fechados, corpo e expressão frágil, e já cada bebé começa logo a ser retalhado pelas famílias do pai e da mãe. Chegam uns e sentenciam que “tem os olhos da mãe”. Vêm outros e reconhecem logo “o queixo e as orelhas do pai”. Rapidamente, todas as partes do bebé vão sendo tomadas, uma a uma, pelas duas facções beligerantes. Parece o jogo do Risco, com árduas batalhas pelo território do recém-chegado. “A cara redonda da mãe? Ai não, nem pensar, ela é toda pai!”. “O quê? O nariz do pai? Longe disso, felizmente, coitadinha da menina! É nariz cem por cento mamã!”

Assistimos calados a estas movimentações no tabuleiro de pertenças deste e daquele lado. Quando nos perguntavam a opinião, dizíamos que a Maria era parecida com… a Maria. Claro que na intimidade lá fomos reconhecendo esta ou aquela feição, esta ou aquela expressão, mas sem dar demasiada importância ao puzzle genético. Ainda assim, confesso que resisti algum tempo à possibilidade, entretanto confirmada, de a Maria ter o cabelo aloirado. Ou melhor, castanho-claro como o papá diz.

Melhor ainda fez uma bisavó paterna. Mal viu a Maria, apressou-se a proclamar a sentença: “Ah, ela não tem nada de pai.” E lá encontrou semelhanças com vários elementos da parte familiar maternal. Subitamente com dúvidas sobre a efectiva paternidade da criança, ainda perguntei “Ó avó, mas não há nem uma coisinha parecida comigo?”. Mais valia ter estado calado, perante a resposta categórica: “Ai, é que nada mesmo. NADA.” Suspiro. Até neste Risco-Bebé há alianças que surgem do sítio mais inesperado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CRIANCICE PATENTEADA #10:
ADORO VER-ME ENORME


Problema: Saudades do período de gravidez
Solução: molde da barriga grávida
Slogan: “Um molde de barriga grávida permite que a mamã se lembre para sempre de como era durante a gravidez.”
Conteúdo suspeito: cinco bisnagas de material de molde extra-cremoso, lubrificante natural para esfregar na barriga, par de luvas de Nitrile (alternativa segura ao latex)
Efeito colateral: Utilizações fetichistas por parte dos maridos, possibilidade de o molde ser pendurado na parede da sala (ao lado do quadro do menino choraminga)
Aquisição alternativa: engravidar outra vez

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PARADIGMA DO NOVO-PAI


Os tios Ricky e Tita casaram. A Maria esteve lá, a espreitar para a salinha da conservatória em que se assinavam nomes e trocavam alianças. Depois posou para as fotografias da praxe. Jantou comida de frasco pela primeira vez na vida no restaurante do copo de água. Brincou, riu, chorou, dormiu ao longo da tarde-noite. Ela e outras bebés praticamente da mesma idade. Uma delas, a Clarinha, até “cantou” karaoke. Microfone na mão em pose de estrela de rock.
Entre a barafunda benigna do casório surgiu uma imagem colectiva inusitada. Um paradigma dos novos tempos parentais. As bebés mais pequenas tinham em redor não só a mãe, como sempre foi e será regra, mas também os pais. E os tios. E os amigos. Há uma nova geração de homens que não se limita a transportar os bebés e as crianças daqui para ali. Também dança e canta com eles, troca-lhes as fraldas (ou ajuda a trocar…), embala o carrinho, dá-lhes de comer. Há um lado maternal a despontar em cada pai. Há uma geração de crianças a ser criada com novas regras do afecto. Dificilmente assistiríamos a este quadro unânime de amor paternal – exteriorizado sem ponta de vergonha num abraço aconchegado, num sorriso emocionado, num beijo apaixonado –, num casamento ou qualquer outra manifestação pública de há 30 ou 40 anos.
No dia em que os tios Ricky e Tita casaram, confirmou-se a existência do famoso conflito de gerações. Os novos pais que gravitam na geração dos trinta anos, nada têm a ver com a geração dos próprios pais, residentes nas casas dos cinquenta ou sessenta anos. Agora, os filhos não têm de mendigar afecto. Os mimos chegam-lhes de forma espontânea e benévola, oriundos das eternas mães mas também dos "novos" pais, distantes da figura fria e inalcançável que reinou no passado.
Acreditemos que esta mudança profunda terá consequências individuais em cada um dos nossos filhos e efeitos colectivos numa sociedade formada por pessoas mais amadas. Mas preparemo-nos para que o conflito de gerações se renove constantemente, adoptando novos formatos. Não será de admirar que um dia eles nos digam: “Ah, mas TU estragaste-me com mimos!”
Corremos sempre o risco de quando os nossos filhos forem “grandes” acharem que nós não fomos os melhores pais. Ainda assim, estragado por estragado, parece-me preferível apostar no novo paradigma vigente em detrimento do velho modelo paternal. É que esse já foi testado até à exaustão, com resultados maioritariamente insatisfatórios.
Por isso caros papás, vão lá dar mais uma dose de carinho “em excesso”. Ficam desde já desculpados.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

PLACENTA PARA QUE TE QUERO!

Quando me deparo com hábitos estranhos, procuro pensar que se tratam apenas de culturas diferentes da qual em que eu cresci. Essa atitude auxilia a tentar compreender mesmo o que aparenta ser incompreensível. As mulheres-grávidas são, por si só, um caso estranho. Ainda assim, consegui ficar espantado com um artigo publicado na Time onde Joel Steiner relata uma experiência relativa aos caprichos da esposa. Desta vez, o desejo da grávida Cassandra não incidia em gelados estrambólicos passíveis de serem resolvidos através da receita-Ambrósio.
Nope. A grávida queria comer a própria placenta. Porquê? Parece que para auxiliar a evitar a depressão pós-parto e a aumentar a produção de leite. Após uma primeira reacção do tipo "está tudo maluco!", o homem lá ouviu o argumento de que a maioria dos mamíferos come as próprias placentas. Contrapôs e esperou que a ideia se desvanecesse com o tempo.
Enganou-se. A esposa teve lucidez para dar à luz e ainda pedir que lhe embrulhassem a placenta. Joel conta ao pormenor as peripécias de salvaguardar a dita cuja em casa e de ir buscar a cozinheira no dia seguinte. Sara Pereira de seu nome, aprendeu a técnica durante um curso de medicina tradicional chinesa. O preparado envolve ervas aromáticas, cozedura a vapor, desidratação da placenta e carradas de higiene. Parece que a Cassandra tinha "uma placenta particularmente robusta". Deu para mais de 100 pílulas... Como brinde, Joel teve direito a um saquinho de cetim a guardar parte do cordão umbilical do filho, arranjado em forma de coração.
Aham... Seria demasiado fácil escrever uma piada qualquer como conclusão desta história. Mas isso poderia ser uma demonstração de ignorância ou intolerância. Até porque não me ocorre nada. É que de repente fiquei com uma fomeca. Deixa-me lá ir espreitar o que haverá ali perdido no congelador...

PS - Fiz uma pequena pesquisa de imagens de placenta para ilustrar este post. Confesso que desisti da ideia à terceira página dos resultados obtidos. Não havia nada assim com aspecto apetitoso e comecei a ficar fraquinho com a falta de comida no estômago.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

REINO DO FUTEBOL


Há pais que mal nasce um filho se apressam a torná-lo sócio de um clube de futebol. Aqui em casa, nem que fosse pela divisão clubista parental, reina o espírito aberto na questão desportiva. Depois de uma jornada para as competições europeias, achei por bem mostrar à Maria as hipóteses existentes.
Antes de mais, há boas razões históricas para ela gostar de futebol. O bisavó paterno jogou na Académica. Foi médico do Sporting, tendo marcado presença na mítica final da Taça das Taças de 1963 (até temos uma faixa comemorativa emoldurada). O bisavó materno foi dirigente no Peniche e teceu umas redes para o Estádio da Luz. Já agora, o papá da Maria jogava à bola todos os dias (numa altura em que ainda se brincava na rua). Deliciei-me a ver o Brasil do mundial de 1982 e as reviengas impossíveis de Maradona em 1986. No Euro 2004 comovi-me com uma selecção que arregimentou um país inteiro. E em 2006 tive oportunidade de acompanhar um mundial a partir da Argentina e do Brasil.
Dito isto, também há excelentes razões para a Maria desprezar o futebol. Em Portugal, o futebol é um desporto tenebroso, onde medra a intriga e escasseia o jogo bonito. As excepções são raras e aleatórias. Preferiria que ela se interessasse pela dimensão humana e multirracial dos Jogos Olímpicos (a cerimónia de desfile de equipas e bandeiras emociona-me sempre), e das modalidades “amadoras” que por lá se encontram. Como não quero influenciá-la nas escolhas, aproveitei a muda da fralda e da roupa para esclarecer, em linguagem apropriada, como são o clube da mãe e do pai. O Sporting foi confuso. A Maria já sabe fazer o “Grrrrrrrrrrr” do leão, mas este Sporting não ruge; mia. O Benfica também não foi fácil. Há demasiados anos que a águia voa baixinho mais parecendo um pombo. Nisto, ela colocou uma expressão que consegui decifrar: “Então e o clube do dragão, papá?” Ai a ingenuidade destas crianças... “Ó filhota, então não vês que os dragões são invenções que só aparecem nos contos de fadas?”

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O PAI TIRANO


Assisti esta semana a uma entrevista televisiva com Eduardo Sá. Sempre que o ouvira anteriormente, nunca fora gerador de empatias. No programa “Há Conversa”, o psicólogo discorreu, como seria de esperar, sobre o acto de educar crianças. Mas por tudo o que vou lendo e ouvindo, a principal tarefa dos dias hoje parece ser educar… os pais. Os paradigmas estão a mudar rapidamente e diz-se existir uma “epidemia dos pais bonzinhos”. Aqueles que pretendem ser os melhores amigos dos filhos e que, frequentemente, lhes fazem as vontades isentando-se do papel de regulador. O importante para estes pais é que os filhos os vejam como uns porreiraços. No fundo porque confundem autoridade com autoritarismo. A existência de algumas regras foi aliás inserida nas três pedras basilares da educação nomeadas pelo especialista:

1) Colo. Dar muito colo, muito carinho, no sentido de que dar afectividade aos filhos nunca é demais.
2) Autoridade (q.b.). No sentido de que é necessário aos pais estipularem algumas regras a cumprir pelos filhos, facto que não os transforma em pessoas autoritárias.
3) Autonomia. No sentido de preparar as crianças para se tornarem independentes e responsáveis.

Embora a entrevistadora tenha desaproveitado parcialmente o convidado (através de perguntas-monólogo longas e demasiado coladas aos próprios pré-conceitos e experiências), Eduardo Sá conseguiu passar mensagens contundentes, como a necessidade de as escolas estarem obrigadas a alterar programas e conceitos, por forma a cativar os alunos. Queixou-se da carga semanal de trabalho das crianças, que excede as míticas 40 horas que os adultos tanto almejam. As crianças crescem com 10 minutos de recreio entre aulas de 90 minutos, salientou. Após o longo dia de aulas, ainda gastam mais horas em actividades como explicações ou os famosos trabalhos de casa. Ou seja, estamos a criar adultos em idade de criança. Que tempo sobra para brincarem ou passarem um tempo relaxado com a família?