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terça-feira, 29 de setembro de 2009

CAÇA AO LEÃO


Grrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaauuuu. A Maria aprendeu como faz o leão. Ainda é um leãozinho, mas já é feroz. Podia ser o animal da cantilena que utilizamos como estratagema para as refeições mais complicadas. Novamente um legado da tia Tita. Funciona melhor com alguém que acompanha a música com gestos. O palhaço de serviço, portanto.


Vou à caça do leão, vou à caça do leão [corpo a balançar a fingir marcha]

Caçarei o maior, caçarei o maior! [punho cerrado em sinal de alguma soberba]

Não tenho medo, não tenho medo! [voz fininha e dedo a oscilar num vai e vem de não]

Ah! O que é isto?! Ah! O que é isto? [mão estendida por cima dos olhos, a avistar algo longínquo, depois mãos nas ancas em pose de interrogação]

É uma árvore! Uma graaaaaaaaaaaaaande árvore! [braços a fazer um círculo graaande]

Vou trepar! Tchck! Tchck! Tchck! Tchck! [gestos a fingir que trepamos]


A história repete-se com um rio, uma casa, uma gruta e seja lá o que for necessário até acabar a comida no prato. Depois finaliza-se substituindo a parte do “É uma…” por esta:


Tem dois olhos… Tem duas orelhas… Tem um nariz… Tem uma juba?!... Tem uma boca!?... Tem uma língua!!?... Tem dentes!!!?!?... AI, É UM LEÃO!! VOU FUGIR, VOU FUGIR!!!


Quando é o pai a fazer de mimo, ponho-me a correr quase sem sair do mesmo sítio enquanto grito (com a voz fininha) o “vou fugiiiir”. A Maria gosta que esta parte tenha bis. E com o tempo aprendeu a acompanhar com o abanar das mãos a parte do “não tenho medo” e com o braço estendido a parte do “uma graaaaaaaaaaande…”.

O próximo passo, agora que já aprendeu a rugir como um leão, deve ser ir atrás do pai medricas para devorá-lo. Aiiii, vou fugir, vou fugir!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

CANTILENA DO… BANHO TOMADO


Sem que se saiba bem como ou quando, institui-se que o término do banho da Maria e respectivo transporte da banheira até ao trocador é acompanhado por uma cantilena que ajuda o papá a esquecer-se do aumento gradual do peso que carrega.

Arre burrinho p’rá Azeitão
Carregadinho de feijão
Que os outros já lá estão
Com a sua carga no… chãaaaaaaaaaaaaoooo!

O ritmo da música por vezes leva variações próprias do momento, tanto podendo a cantilena ser entoada em coro alentejano como em hip hop. Mas a letra cantada pelo transportador, legado da avó maternal, é diferente da versão conhecida pela mãe. Versa assim a moda penichense:

Arre burrinho que vais para a feira
Carregadinho de madeira
Levas a canga e o arado
E a Maria com o cú cagado.

Logo à primeira audição, o lápis azul do pai actuou e censurou o verso final. Simplesmente não é higiénico. Nem verdade. A criança acabou de tomar banho, credo! Após conversações, negociatas e concílios, inventou-se uma rima final alternativa: “Levas a canga e o arado / E a Maria com o banho tomado!”. Ah, digam lá se esta limpeza etnográfica não ficou tão bonita!